sábado, 27 de junho de 2009


Vi “Coraline e o Mundo Secreto”. Estava ansiosa! Roteirizado e dirigido por Henry Selick ("O Estranho Mundo de Jack"), é a adaptação de um romance infanto-juvenil de Neil Gaiman, escritor e autor de histórias em quadrinhos ("Sandman").

A personagem do título é uma menina de onze anos que se mudou com os pais para uma antiga casa no interior. Ela está entediada nessa nova casa, pois os pais vivem trabalhando e ela sente saudade dos seus amigos. Até o dia que encontra uma porta secreta e descobre uma versão alternativa de sua própria vida do outro lado da porta.

Aparentemente esta realidade paralela é muito similar a sua vida e as pessoas com quem convive – só que (claro!) é muito melhor. Sua outra família faz todas as suas vontades, tudo é mágico e encantador.

Até que esse mundo aparentemente perfeito fica perigoso e seus pais alternativos tentam aprisiona-la para sempre.

Uma grande sacada além das cores, flores, beleza, tudo bem carregado no outro mundo, e que os outros pais usam botões no lugar dos olhos.

Não há limites precisos entre realidade e fantasia, o onírico e o real. Assim como a fantasia da outra possibilidade é sempre mais colorida que a realidade.... Pelo menos até ela virar realidade.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

"We are the world"


Michael Jackson sempre foi tão grande artísticamente que precisou ele morrer pra virar humano.
Ele foi massacrado, perseguido, julgado e o que mais me faz sentir a morte dele, não é a perda de um inegável ícone artístico, mas sim saber que em 50 anos, a pessoa física Michael Jackson não conseguiu verdadeiramente viver.
Mas nós, vamos continuar ouvindo “Thriller” e falando de um grande artista que era negro e virou branco.
Ou melhor, agora discute-se sobre patrimônio, dívidas, overdose de remédios....
Que, finalmente, ele tenha paz!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

"Simples" e sábio - Menos sempre é mais!


Escutatória de Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.
Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que... Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas.
Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.
Daí a dificuldade: A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor...
Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração...
E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.
No fundo, somos os mais bonitos....
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala.
Há um longo, longo silêncio..
Vejam a semelhança...
Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio...
Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas.
Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala.
Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.
Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos... Pensamentos que ele julgava essenciais.
São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades.
Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.
Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo.. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.
E, assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.
E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência... E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia...
Que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

domingo, 14 de junho de 2009

Devagar e sempre


Navegando me deparei com uma frase: “Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade”. Isso foi um achado para mim, pois vivo atrás do caos completo, meio síndrome de fênix. Não que queira o caos, com certeza não! Mas quando ele aparece, eu aproveito pra limpar a casa toda, e isso dificulta muito o serviço doméstico. Imagine alguém querer ao mesmo tempo demolir a parede da sala pra juntar com o escritório, fazer uma cozinha americana, pintar o quarto do filho, trocar o piso da cozinha, mudar a iluminação, arrumar o armário, aumentar o jardim... Ufa! Quem consegue tudo ao mesmo tempo agora? Sim, porque minhas reformas são estruturais. Nada de varrer a casa, colocar embaixo do tapete e arrumar as almofadas.
Em mais um momento de transformação, já estava me cobrando mudar tudo novamente, e não mudar nada novamente.
Agora, acho que achei meu caminho.