quinta-feira, 30 de julho de 2009

O criador e a criatura


Ontem zapeando, madrugada, me deparei no meio de "Lua de Fel". Filme do Roman Polanski que não passa imune por ninguém. Amor ou ódio!

O filme conta a história de um casal de ingleses que embarcam em um cruzeiro marítimo, onde conhecem uma bela francesa e seu marido paraplégico, que conta a eles a história do relacionamento que tem com sua esposa.

O grande drama é como se dá a relação deles. O filme mostra claramente a necessidade do respeito ao limite da outra pessoa.

Os diálogos chegam a parecer "surreais"

E dizer que histórias como essa acontecem nos arredores...

domingo, 12 de julho de 2009

Declaração imodesta


Se eu fosse jornalista seria igual a Patrícia Poeta, cujo nome acho lindo (Não só pelo Patrícia, como se pode prever, mas a combinação com o Poeta é pura poesia, assim como a minha combinação também!) e fico orgulhosa* de perceber nosso estilo que, com certeza, seria o mesmo
* Desculpem a falta de modéstia dessa declaração, algo não muito comum em mim, mas vejo suas matérias sempre tão iguais ao meu olho...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Free at last


"Do ser mitológico diz-se que nasceu em meados do século XX. E que, tendo nascido homem, foi aos poucos transformando-se numa mulher. No fim, tornou-se um ser de aspecto hermafrodita, com sexualidade indefinível. Sabe-se que o ser mitológico nasceu negro e morreu branco. Foi, na infância, um adulto: compromissos profissionais, responsabilidades, obrigações e pressão foram experimentados desde cedo em doses altas. Na maturidade, tornou-se uma criança: gostava de brincar, passear em carrosséis e montanhas russas, ter crianças por perto e jamais compreendeu exatamente do que se tratava o tal "mundo dos adultos".

Do ser mitológico diz-se que foi acusado de abusar sexualmente de crianças, o que nunca se comprovou. O que se sabe com certeza é que foi brutalmente espancado pelo pai, na infância, e submetido por este a tortura e pressão psicológicas. É comprovado que durante sua existência o ser mitológico ajudou crianças pobres e doentes, não só com dinheiro, mas com carinho e compreensão verdadeiros. Com essas crianças comunicava-se da mesma forma com que são Francisco de Assis conversava com passarinhos.

Do ser mitológico compreende-se que revolucionou a música pop mundial ao elevar a música negra (é importante lembrar: não importa quantas transformações e mutações tenha o ser sofrido em sua existência, ele nunca deixou de ser um grande, talvez o maior, artista da música negra norte-americana) a um status nunca antes alcançado: qualidade musical irresistível, ousadia de produção, competência e muito - muuuiiito - suingue.

Quincy Jones, músico, maestro e arranjador de excepcional talento, ajudou o ser mitológico nessa jornada. Do ser mitológico aceita-se que tinha habilidades múltiplas - dançava, cantava e compunha como poucos - e que com elas conseguiu apaixonar pessoas do mundo inteiro, independente de suas raças, classes sociais, nacionalidades, religiões, crenças etc.

Dele compreende-se que foi coroado rei pelos humanos e amado por estes como um anjo. A morte chegou-lhe como alívio, inadaptado que era ao mundo estranho que o amou e não o compreendeu. Na morte sabe-se que a imprensa, que o criticara impiedosamente nos últimos anos de vida - e tanta atenção dera a suas bizarrices, idiossincrasias e excentridades - acabou por reconhecer que o que prevalecerá de seus feitos será tão somente a brilhante música que concebeu, cantou e dançou.

Diz-se por fim que, ao morrer, o ser mitológico livrou-se do corpo que era ao mesmo tempo depósito de dons e talentos e também de dores e sofrimentos. E que se lembrou, no último instante de vida, da frase do discurso de um grande e admirável conterrâneo: free at last!"

Tony Bellotto.

Lei


A partir de hoje baixei decreto: JUST BE

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Ser estrangeiro


Convivi de perto com duas irmãs do meu avô materno. Minhas tias avós maravilhosas!
Isso fez com que sempre fosse muito sensível aos assuntos relacionados à velhice.
Devorei Leite Derramado do Chico Buarque em dois dias.
Me soou tão íntimo... A linguagem.... As palavras usadas.... Os devaneios...
E me deparei com esse corte: “ As pessoas não se dão ao trabalho de escutar um velho, e é por isso que há tantos velhos embatucados por aí, o olhar perdido, numa espécie de país estrangeiro.”
E mais: “Mas se com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida.”
A leitura me levou a ver o mundo através daqueles olhos já sem tanto viço.
Me fez pensar o que contaria dos amores que tive, do meu filho, do meu neto.
Terei sido feliz? Que velha serei?
E pensando e lendo e vendo esse universo, engulo seco, e fico engasgada... Até hoje é assim.