
Convivi de perto com duas irmãs do meu avô materno. Minhas tias avós maravilhosas!
Isso fez com que sempre fosse muito sensível aos assuntos relacionados à velhice.
Devorei Leite Derramado do Chico Buarque em dois dias.
Me soou tão íntimo... A linguagem.... As palavras usadas.... Os devaneios...
E me deparei com esse corte: “ As pessoas não se dão ao trabalho de escutar um velho, e é por isso que há tantos velhos embatucados por aí, o olhar perdido, numa espécie de país estrangeiro.”
E mais: “Mas se com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida.”
A leitura me levou a ver o mundo através daqueles olhos já sem tanto viço.
Me fez pensar o que contaria dos amores que tive, do meu filho, do meu neto.
Terei sido feliz? Que velha serei?
E pensando e lendo e vendo esse universo, engulo seco, e fico engasgada... Até hoje é assim.
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