
Quando era criança, o escritor David Gordon sempre se sentiu excluído, se achava diferente, e cresceu sonhando com o dia em que os ETs viriam buscá-lo e levá-lo para casa, no espaço sideral. Os aliens nunca vieram, mas sua imaginação o transformou em um escritor de sucesso. No entanto, David ainda continua se sentindo um solitário, e mesmo depois de dois anos não consegue se acostumar com a ausência da esposa. Até que ele resolve adotar uma criança brilhante e problemática. Assim como David, Dennis vive trancafiado em seu próprio mundo de fantasia. Dennis acredita de verdade que é um marciano em missão de exploração na Terra. E talvez ele seja de verdade...
Torci o nariz quando me recomendaram o filme, mas me rendi por um único motivo: Não lembro de ter visto um filme que retrate tão bem o universo infantil como esse. Ele retrata a introspectividade da infância de uma forma absolutamente clara!
Numa maravilhosa analogia - que descrita aqui vai parecer piegas, mas não é - a criança é mesmo um marciano. Tudo é novo. É um mundo repleto de cheiros, cores, texturas, sons... Seus sentidos e suas sinapses vão rotulando, identificando, explorando cada sensação, cada objeto, cada pessoa.
O filme também fala de conceitos como amor, família, mas tudo isso – por mais que o amor seja imenso, lindo e realmente incondicional – passa ao largo diante da construção desse universo mirim.
Ah! Tem mais uma passagem bacana no filme, que é a insegurança de nos vermos pais. Até ele decidir de fato adotar o Dennis, David sentiu muito “friozinho na barriga” e questionou sua capacidade de ser pai, de criar uma criança, e só tomou mesmo a decisão quando se viu em Dennis.
Parênteses: Uma das melhores sensações do mundo é a gente se ver nos nossos filhos!
E como não pode deixar de ser, foi um aprendizado delirantemente prazeroso para os dois.
Paciência, persistência e esperança são três pequenos (grandes) atributos para a convivência com o ser humano. Amor (muito e sempre) e respeito à individualidade também é bom colocar no balaio.
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